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sexta-feira, 2 de março de 2012

La vie en rose das crianças


A vida adulta tende a matar a beleza de detalhes do cotidiano, tende a escurecer pouco a pouco o universo colorido que a infância tanto zela e ainda entristecer corações através da tamanha transparência com que o mundo é apresentado aos grandões da atualidade.

A criança vê a borboleta, toda linda, colorida, dando piruetas no ar e corre atrás dela. Corre e sorri, achando incrivemente bonito poder ter asas e ser daquele jeitinho, tão leve e tão aparentemente feliz.

Já o adulto vê na borboleta apenas uma borboleta. Olha seus movimentos com olhos já tão carregados que não vê nada além de um inseto comum.

A criança vê uma flor, a dama-da-noite e fica intrigado ao perceber o perfume que só se percebe a noite. Uma florzinha tão clara que (des)escurece a noite através de uma cheiro muito bom! É a magia da vida, da natureza...e a criança, com certeza, pensa sobre a mágica de Deus por dias.

O adulto, já tão cheio de afazazeres, pode nem perceber o perfume ao passar perto da dama-da-noite. E se questionado pela criança sobre o perfume, interiormente vai usar da correria do cotidiano como desculpa pelo fato de não ter notado o cheirinho da flor.

A criança descobre o mundo a cada dia. Pássaros novos, cheiros, cores...a vida é uma novidade constante! O gato que detesta água e toma seu banho através de suas lambidas. A formiga que é tão pequena mas consegue carregar folhas enormes nas costas. O sol que vai embora para que a lua possa brilhar. O avião no céu. Os pássaros que voam todos juntos quando percebem que vai chover. O arco-íris – que possivelmente guarda um pote de ouro no fim –. Tudo é novo, bonito e emocionante.

O adulto já nem percebe mais nada além do que ele deve fazer, e fica até irritado quando questionado sobre alguma descoberta infantil. São contas, e compras, trabalho, metas que devem ser atingidas, dor de cabeça e o chato do passarinho que não para de cantar na janela pela manhã. Já não vê nem a cor do paassarinho cantor, nem a cor do céu quando o sol vai embora e tampouco nota as formigas no chão – elas são pisoteadas antes mesmo de serem notadas –.

Quando se é criança o pensamento sobre a vida adulta é tão leve: " Vou me casar e ter 3 filhos. Quando eu crescer quero ser bombeiro." Papai e mamãe são heróis e perfeitos. Trabalhar nem parece essencial. As pessoas não têm problemas, nem doenças e nem ficam tristes. A vida adulta ainda leva cor!

O adulto lembra da infância e sente saudade, lamenta... lembra de como era bom soltar pipa e brincar de pique-esconde ou brincar na chuva e de como era bom sentir os pingos caindo. Lembra com carinho o gosto de bolinho de chuva da vovó, e do bolo de cenoura com cobertura de chocolate que tinham um gosto tão diferente dos que se faz hoje – " Quando eu era criança isso era mais gostoso!". Mas o que é mais doloroso é não saber como fazer para sentir de novo, para sorrir como antes, para notar coisas como antes...ser capaz de achar a antiga criança, por alguns minutos do dia, dentro de si.

A criança sonha com a vida adulta. O adulto quer voltar a ser criança!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Peço a Deus que ilumine meus dias " Livrai-me de todo o mal!".

Acordei feliz! Cheia de sonhos e querendo ganhar tempo, nem parece que tive uma noite terrível com a companheira insônia que só me liberou as 3h00 da manhã. De qualquer forma, cá estou eu, animadíssima!

Interessante como as coisas que ouvi na infância fazem muito mais sentido hoje do que antes. Coisas como "os sonhos alimentam a vida" ou " o importante é fazer o que se ama, o resto é consequência" ou ainda " gregos e troianos não cabem juntos em caixa alguma". Tudo isso faz o maior sentido agora.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Le ciel flamboie

Alguém me disse hoje que não recebemos o que não podemos carregar. Já ouvi isso mil vezes, mas o efeito que essa frase me causou hoje foi diferente do habitual.

Já levei tapas no rosto de quem nunca imaginei. Já me desesperei, me lotei de dívidas que não pude pagar, já não tive onde morar da noite pro dia, já chorei por horas por não saber o que fazer, perdi pra sempre pessoas que amo, já enfrentei o escuro sozinha, já senti tanto medo que prendi a respiração pra não me mover... E continuo em pé.

Não é que é verdade! Tudo o já passei, ou senti não é maior do que a força que tenho em mim!

Me descobri tão forte, mais forte do que tudo o que já me fez sofrer.

Se quiser me bater, vou erguer o rosto pra ver se tem coragem, e se tiver, eu aguento a dor. Não vou correr, nem me esconder. Sabe por quê? Porque se esconder é irreversível. Se me escondo hoje, vou ter que me esconder o resto da vida, e não quero viver correndo...

Estou, mais uma vez no meio do furacão...pendendo de um lado pro outro...emocionalmente abatida...mas a hora em que eu me firmar de novo...Ah, minha força renasce, como o amanhecer depois da madrugada silenciosa!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

RELAÇÕES



Falar de ambiguidade! Inacreditável a capacidade de ser ambíguo e contraditório que o ser humano carrega. – Ok, assumo que falo isso olhando pra mim! – Olho bem dentro de mim, bem no fundinho mais inho que existe e me perco em tamanha confusão.



A maior das confusões existentes, pessoalmente, é o relacionamento humano. Eita coisa difícil esse tal negócio de se relacionar! Confesso que é a ideia mais difícil que conheço, embora eu, assim como todo mundo que tem o mínimo de sanidade mental, precise absurdamente viver as relações humanas, e é exatamente aí que mora o perigo que me faz voltar no início dessa quase "autoanálise". Acredito no conteúdo das relações, viver coisas que não me acrescentam ou que não me preenchem ... só me faz perder tempo, e olha que o tempo anda tão precioso pra mim! Mas por outro lado, o que isso tudo quer dizer? O que são relações-alimento? Será que esse tipo de relação só existe quando paramos e focamos em um alguém-combustível que nos faz sempre nos movimentar, mesmo que por vezes em ponto morto?



Procuro um amor, juro que procuro um grande amor, que cure amores antigos e que me (re)coloque as borboletas que foram passear, mas uma só relação não tem me preenchido e me feito sentir emoções, apenas conforto e só.



Não quero ir ao restaurante e me servir de todas as sobremesas só porque estou em dúvida entre o pudim e o brigadeiro! Então, por esse motivo não como! Não ando comendo porque não quero engordar por conta das calorias extras e sem necessidade que comeria se comesse de tudo um pouco. Mas se não como nada, se não vou ao restaurante, como é que vou equilibrar a alimentação? – SIMPLES! – Tenho que aprender a separar, o que é bom para as borboletas do meu estômago e o que não é. Se eu misturar tudo, isso com certeza não vai cair bem! E começa aí outro questionamento. Eu preciso de fibras, proteínas, carboidratos e ect., e tudo isso não está em um alimento só, se é que me entendem!



Se eu encontrar alguém que seja sensível, amoroso, inteligente, atencioso, nem tão equilibrado, nem tão maluco, que converse comigo e que goste disso e que seja, pricipalmente interessado ( afinal, pessoas interessadas são um tesão! Se envolvem com tudo!), que tenha todas as manhas das quais eu preciso para me sentir completa, eu juro que paro de querer comer bife, batata, arroz, queijo, feijão, frango, ovo e etc., tudo na mesma refeição!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Esse é só o início do fim. Ainda temos muito pela frente até podermos nos olhar sem sentirmos nada além de muito carinho e uma vontade imensa de guardar tudo o que foi vivido pra sempre dentro de nós – mas fins, quase fins e similares são complicados – por mais que não haja mais maneiras de se estar junto, é imensamente doloroso tirar alguém bruscamente da nossa vida. Quando digo que não há mais maneiras, digo no presente. Não há, mas não sabemos e nunca vamos saber se um dia haverá. O destino é mesmo uma caixinha de surpresas, e a cada passo que damos temos o poder de transformá-lo.

Vejo que não há mais maneiras, nem sei como um dia conseguimos estar perto! Sei que hoje isso tudo é tão distante, é difícil até enxergar. Onde estamos agora, em mais uma das portas que temos dentro de nós? Pois é, acho uma pena a forma como as coisas se vão, e sinceramente, nem consigo entender. Como é que pode-se tirar alguém assim, botar para escanteio? É como se nunca tivesse vivido lá! É como se não houvesse intimidade, e sinceridade nem nada. É como um imenso vazio, sem fim....

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Me perco em sua brancura...

Luminosa...

Quase transparente!

Onde minhas cores todas se refletem.

Onde todos os segredos se revelam.

Me perco em sua brancura-ardente...

E quase nem percebo,

que quem mais arde sou eu!

Ardo no não-dito.

No não-feito.

No escuro dos meus desejos

que agora clareiam em você.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Colorir-ME



Há dias procuro algum motivo para escrever! Há dias me sinto vegetando, sem conseguir organizar minhas ideias, meus sentimentos...aliás, quais sentimentos? Nem consigo nomeá-los! Sensação mais horrorosa. É como querer respirar e não ter ar. Como querer cantar e não conseguir. Isso machuca o coração né? É quase como sentir espinhos na alma e nem ao menos poder gritar.



Mas assim somos nós! Seres estranhos...cheios de tantas coisas e cheios de nada.



Pessoas são assim mesmo, e assim é a vida. Viver é bom demais! É o viver que colore e faz escuro. Amor e ódio de mãos dadas. Alegria, felicidade, lágrimas, bolos de chocolate, abraços, cafunés, músicas e um cheiro de flor. Há dias em que transbordamos tanto que é possível ver nossa luz toda colorida de longe...e passamos e vamos colorindo o cinza embaixo das pontes e os olhos quase cegos conseguem ver um brilhinho que faz toda a diferença pra quem já quase não vê nada.



Por outro lado há dias em que nem queremos levantar! Eita coisa estranha é SER humano! E nesses dias inconscientemente torcemos para encontrar um arco-íris ambulante para jogar um pouco de tinta sobre nós.



Agora fala sério se não é bom viver! Mesmo se o vermelho nem sempre for tão vermelho já é melhor que o transparente né?






"qualquer coisa que se sinta, tem tanto sentimentos, deve ter algum que sirva!"